Blog de Lara


15/06/2009


É bom para refletir sobre nossas atitudes e o nosso "paraensismo"...
Rogerio Saavedra
 
 
Belém perdeu. Nós podemos ganhar.
Texto do publicitário Edgar Cardoso
Belém perdeu a disputa pela Copa de 2014. Mas não foi só Manaus que venceu.
Ganhou  a corrupção e a incompetência administrativa. Ganharam os conchavos
e a política do “primeiro eu”. E a do “primeiro os meus”. Venceu o trânsito
caótico  e  a  desorganização  quase cultural em todos os setores. Venceu o
“ah...  deixa  pra  amanhã”,  a  falta  de  orientação  para o trabalho e a
satisfação  com  pouco. Ganhou a mediocridade e a falta de perspectiva, que
faz  todos  os anos centenas de jovens universitários e recém formados irem
embora  de  Belém,  disponibilizando  seus cérebros para desenvolver outros
estados,  outros  países. Ganhou a saúde desumana e a educação ineficiente.
Ganharam os carros com som alto e a música ruim, travestida de manifestação
popular,  quando é apenas falta de acesso ou referência. Venceu a grosseria
dos  atendentes.  A  falta  de “por favor” e “obrigado”. Venceram os carros
parados  no  meio  da  rua,  para que seus motoristas possam falar com seus
amigos na calçada, esquecendo o direito dos que aguardam atrás deles.
Belém  perdeu.  E em primeiro lugar ficou a violência, antiga conhecida dos
bairros  pobres  e  agora  já  na  porta,  entrando  nas  salas  em “L” dos
apartamentos  ricos.  Ganharam as ruas esburacadas, que enchem para delírio
dos   ratos.  Venceu  a  falta  de  creches,  o  abandono  da  infância,  a
prostituição  infantil. Venceu o trabalho escravo doméstico, sob a roupagem
de  adoção  de meninas do interior. Ganhou a enorme diferença social, menor
apenas  que  o  tamanho  das  valas a céu aberto das favelas horizontais da
cidade.  Ganharam  os  políticos  caricatos e espertalhões, vindos da velha
política  oligárquica  que  só  ressoa  ainda nos mais afastados rincões do
Brasil e seus ramais.
É, Belém perdeu. Mas tem perdido há muito tempo a vergonha e ganho apenas a
naturalidade  cínica  da indiferença.Venceu o conformismo, o jeitinho “tudo
bem”.  Venceu  a  burguesia  ignorante  e suas crenças no direito divino de
mandar  e ser servida. Mas também venceram os aproveitadores disfarçados de
povo,  que  usam a massa para obter os privilégios que nunca tiveram. Belém
perdeu. E, sobretudo, ganhou a crença de que Belém é “do cacete”, que é uma
ótima  cidade  para  morar,  com  povo  acolhedor  e  amigo,  o  “Portal da
Amazônia”.  Não  é.  É  uma cidade violenta, cara, suja, desorganizada, com
alto nível de falta de educação, com poucas e mal remuneradas oportunidades
de  emprego  e onde quem não tem um plano de saúde está perdido. Uma cidade
que  vive  muito  mais  de  passado que de história, ébria ainda por áureos
tempos  da  borracha  que  deram  às  elites  daqui uma patética certeza de
nobreza,  quando,  na  verdade,  não  passa de uma oligarquia ostentadora e
interiorana.
Belém  perdeu. E o que vai acontecer, com toda certeza, é ficarmos mais uma
vez  cheios do orgulho que tiramos não sei de onde e dizer aos 4 ventos que
foi  por  causa  de  uma politicagem de “não sei quem”. A típica atitude de
perdedor.  A forma fácil que temos de enfrentar os problemas. Belém perdeu.
Porém,  podemos  ganhar  muito com essa experiência, olhando, pela primeira
vez, além do pato no tucupi, do açaí e do tacacá. Temos que perceber agora,
não depois, a rota descendente em que se encontra a capital e o estado como
um  todo.  A  cidade  do  abandono,  o  estado  da  violência  rural  e  do
desmatamento.  Temos  que  votar  melhor,  pensar mais no coletivo e não no
individual. Ler mais, educar mais, trabalhar mais, reclamar mais.
Chega  dessa  postura  de rechaçar críticas por pura vaidade em nome de uma
história  longínqua.  E  cada  vez mais distante, pois a história é escrita
pelos vencedores.
Vamos  mudar  Belém  e  o  Pará começando por nossas atitudes, entendendo o
direito do outro como tão importante quanto o nosso, valorizando a educação
e o saber como principal patrimônio e legado. Chega de ser uma ilha, quando
cada  cidade  hoje  é  global.  A raiz de tudo isso, de todos os problemas,
somos nós. Nós é que precisamos mudar como povo. Em 2014 não vamos sediar a
Copa.  Mas,  com  certeza,  como  principal  cidade de uma das regiões mais
importantes do Planeta, poderemos começar a ganhar o mundo.

Escrito por Lara às 23h18
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08/05/2009


Começar do zero...

Confesso, isso se torna muito estranho, mas quem sabe pode até dar certo. Mudanças acontecem e geralmente nos fazem amadurecer ideias e opiniões, que antes nos preocupavam ou que na verdade nem ligávamos. De certa forma, tudo o que acontece tem um motivo, ou ao menos uma razão. Vamos lá, não vou discorrer aqui neste espaço "nada" sobre a minha vida (sei que isso é de certo modo, ironico), mas usarei para externar unicamente aquilo que penso. Então, sejam, vocês, caros visitantes bem vindos e por favor ao lerem, comentem e sugiram outros questionamentos e ideias.

Obrigada.

Lara Sampaio

Escrito por Lara às 12h03
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